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Giloya: A Voz Afro-Soul Que Ecoa da Diáspora para o Mundo

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Nascida em Angola, criada na Itália e enraizada no mundo, Giloya não é apenas uma voz — é um grito. Um grito que atravessa oceanos, línguas e memórias, e que encontra na música afro-soul a expressão mais íntima da sua história. Com um timbre que carrega ancestralidade e uma trajetória marcada por lutas e renascimentos, a artista tem usado a sua arte como ponte entre culturas, territórios e identidades.

Giloya - Foto: Reprodução

Giloya – Foto: Reprodução

Desde pequena, a música sempre foi o pano de fundo da sua existência. Crescida em um lar marcado por perdas, guerra e resistência, Giloya foi moldada por uma mãe angolana de força inabalável e pelo legado de um tio que fez história no Semba. Ainda menina, viveu os horrores da guerra civil, viu o pai ser preso, perdeu familiares e, aos seis anos, embarcou com a mãe e a irmã para a Itália, onde recomeçaram a vida como tantas outras famílias refugiadas.

Na nova terra, encontrou acolhimento na igreja e ali deu os primeiros passos como cantora. “Era uma conexão com o infinito, uma forma de dizer ‘eu estou aqui’ mesmo estando longe de tudo”, relembra. Mas ser uma criança negra em um país que pouco conhecia da África não foi simples. “As pessoas perguntavam se eu nasci com tranças. Não havia representatividade. Eu e minha irmã éramos as únicas crianças pretas na escola.”

Giloya - Foto: Reprodução

Giloya – Foto: Reprodução

Aos poucos, sua identidade afrodescendente começou a florescer. Primeiro, com os brasileiros que conheceu em solo italiano, que a ajudaram a desenvolver o português. Depois, com encontros transformadores com angolanos na embaixada e com uma viagem marcante a Salvador, na Bahia. “Ali, percebi a conexão espiritual entre Angola e Brasil. Foi como voltar para casa.”

O afro-soul tornou-se, então, sua linguagem de alma. Aos 16 anos, assinou seu primeiro contrato artístico e iniciou uma carreira que se mistura com sua própria busca de pertencimento. “Quanto mais eu cantava, mais eu me sentia viva.” Em 2011, lançou seu primeiro álbum, intitulado Afro-Soul, onde suas composições revelam a força de uma mulher que resiste, sonha e constrói seu lugar no mundo com a própria voz.

Giloya - Foto: Reprodução

Giloya – Foto: Reprodução

Mais do que cantora, Giloya é uma mulher de missão. A maternidade trouxe novos tons à sua música, como em “Ayo” — single recente cujo nome em iorubá significa “alegria”. “É uma canção sobre renascimento, esperança e amor. Uma conversa com a minha filha, uma semente de luz.” Além de suas músicas, ela realiza workshops e encontros para mulheres, onde compartilha não só sua história, mas ferramentas para que outras também descubram sua própria força.

Entre gravações, palcos e projetos sociais, Giloya se prepara agora para dois momentos grandiosos em sua carreira: um show em Roma no Dia Mundial da Água, 22 de março de 2026, em colaboração com o movimento Dance For Water, e uma participação no evento Angolan Art em janeiro, celebrando os 50 anos da independência de Angola com moda, música e arte visual africana.

“Estamos a construir algo maior do que nós. A água é vida. A arte é ponte. E eu sou só uma gota nesse oceano de transformação”, declara, com humildade e convicção.

Giloya sabe que sua arte não cabe em moldes nem fronteiras. Ela pulsa. Vibra. Educa. Cura. E inspira — como um grito que começou no ventre da mãe, atravessou a guerra, encontrou abrigo na fé e hoje ecoa pelos palcos do mundo

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