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MÊS DA ÁFRICA: “GINGA”, álbum visual de Tamara Franklin e Samora N’zinga, reafirma a centralidade da cultura negra na formação do mundo

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A obra reflete temas contemporâneos, sob a perspectiva e o legado da rainha N’zinga, explorando múltiplas linguagens artísticas e subgêneros do Hip Hop.

 

photo by Helena Duarte

Em maio, mês em que se celebra o Dia da África (25/05), artistas de diferentes territórios reforçam o que vozes negras já anunciam há séculos: a África não é origem apenas de um povo, mas de um pensamento, de uma estética e de uma espiritualidade que moldam o mundo. É nesse contexto que o álbum visual GINGA, de Tamara Franklin e Samora N’zinga, se destaca como obra fundamental para quem busca escutar e enxergar a força viva da africanidade hoje. Disponível nas plataformas desde março, GINGA é uma travessia sonora e visual dividida em três atos simbólicos:

  • África – origem e princípio de toda vida e sabedoria.
  • Travessia – o trauma da colonização e a luta pela preservação da alma negra.
  • América – reinvenção das cosmologias negras em territórios marcados pela diáspora.

photo by Helena Duarte

O álbum parte do legado da rainha N’zinga Mbandi, soberana de Ndongo e Matamba, para construir uma obra que une o sagrado e o profano, a rua e o terreiro, a dança e o grito de guerra. GINGA é realeza preta em forma de música, com sonoridades que passam por afrodrill, Jersey, boombap e outras vertentes do Hip Hop contemporâneo. Mais do que um disco, GINGA é um manifesto: sobre o corpo preto que permanece de pé, sobre o axé que atravessa séculos, e sobre a potência de uma arte que não precisa partir da escassez.

Como diz Tamara Franklin, “é sobre prosperidade, opulência e malandragem. É sobre o poder da nossa identidade e do orgulho de nos reerguer como nação.”

Com direção de arte de Ana Elisa Gonçalves, direção audiovisual da Rato Alado Filmes, produção de Ana Cecília Assis e patrocínio da Natura Musical, o álbum visual reafirma o Hip Hop como linguagem ancestral, política e filosófica. Uma obra que pulsa com a memória da África e a força das cosmologias negras reinventadas nas Américas.

photo by Helena Duarte

Sobre Tamara Franklin
@
tamara_franklinn

Tamara Franklin é cantora, compositora, intérprete e arte educadora de Ribeirão das Neves (MG), com 20 anos de trajetória no RAP. Sua obra conecta o sagrado ao urbano, a favela à ancestralidade, transformando a palavra em cura, denúncia e reexistência. Primeira mulher a lançar um álbum solo de RAP em Minas (Anônima, 2015), Tamara rompe fronteiras do gênero com influências de reggae, samba, afrofuturismo e música experimental. Criadora do projeto HIP HOPsique, articula Hip Hop, Psicologia Social e Filosofia Africana em práticas de cuidado e formação crítica para juventudes periféricas. Em 2020, lançou o álbum-manifesto Fugio, fruto de sua pesquisa sobre o Reinado e o Candombe Mineiro. Premiada no Prêmio de Música das Minas Gerais (2021), lançou o EP Guia Rápido Para Gostosas e Orgulhosas Rimarem Sofrência (2023) e, em 2025, celebra duas décadas de carreira com ações e lançamentos que refletem sua construção como artista e a mulher que a arte construiu ao longo desta jornada. Sua obra afirma uma linguagem própria, onde pensamento acadêmico e estética periférica se fundem como potência de transformação, memória e futuro.

photo by Helena Duarte

Sobre Samora N’zinga

@samora.nzinga

Samora N’zinga é um dos nomes mais potentes da cena Hip Hop de Belo Horizonte e pioneiro do AFROTRAP no Brasil. Artista e intelectual contemporâneo, suas músicas entrelaçam ritmo e pensamento crítico, abordando com profundidade temas como ancestralidade africana, resistência e questões sociais. Ao longo de uma década de trajetória, consolidou sua voz com trabalhos marcantes como D.A.A.T (2019) e Amor e Fim do Mundo (2021), álbuns que reafirmam sua visão artística afiada e politicamente engajada. Em 2023, foi reconhecido como agente da cultura urbana de BH pela Lei Aldir Blanc, reafirmando seu papel como referência na arte que pulsa das periferias e ecoa ancestralidade.

photo by Helena Duarte

Ouça Ginga: 

 

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